O PT foi o único partido mencionado em questão
sobre reforma
política em prova do Ministério da Fazenda.
E, para respondê-la, era preciso
saber posição da sigla.
São Paulo – em agosto, o candidato que quisesse
acertar uma das questões de uma prova do Ministério da Fazenda tinha de
conhecer a posição do Partido dos Trabalhadores sobre o tema reforma política.
O PT foi a única sigla citada nominalmente no concurso realizado em 25/08 pela Escola Superior de Administração Fazendária (Esaf), órgão ligado à
própria pasta. A oposição diz que vai acionar o Ministério Público para
verificar se houve “aparelhamento do Estado”.
“O Partido dos Trabalhadores (PT), atualmente no comando do
Executivo Federal e com forte bancada na Câmara dos Deputados, defende o
financiamento das campanhas eleitorais com recursos públicos”, afirmava a
resposta certa à questão sobre reforma eleitoral.
Segundo o usuário identificado pelo nome @horaciocb no
Twitter, que diz ter participado da seleção, as demais alternativas não citavam
siglas e eram de cunho genérico, como "o Congresso Nacional está unido em
torno do voto distrital puro".
Como a alternativa correta era a que tratava do PT, o
candidato só precisava conhecer o programa do partido para acertar.
O financiamento público de campanha é uma bandeira histórica
petista.
“Estão fazendo aparelhamento desde a seleção”, afirmou o
deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), que vai acionar o MP para investigar o
caso. Para ele, o concurso deveria ser cancelado.
“Estão beneficiando o partido e a presidente com dinheiro
público. Em tese, podendo prejudicar alguns concorrentes, que não são obrigados
a conhecer o programa do PT”, defendeu o democrata.
Responsável pela seleção, a Esaf se pronunciou (veja nota na íntegra ao final).
O concurso em questão irá selecionar 347 analistas
técnico-administrativos, arquitetos, engenheiros, contadores e pedagogos para a
pasta. Os salários variam de R$ 3.977,42 a R$ 5.081,18.
Nota da Esaf sobre a seleção
"Gostaríamos de esclarecer inicialmente que as equipes
(bancas) elaboradoras das questões dos concursos públicos organizados pela ESAF
são integradas por pesquisadores, membros da academia e profissionais de
comprovada capacidade intelectual, contratados especificamente para a
formulação e a correção de questões ligadas aos seus respectivos campos de
atuação, ensino e/ou pesquisa. Tais pessoas atuam de forma independente, com
liberdade para formulação das questões. A ESAF mantém apenas processo de
revisão gramatical das questões, buscando evitar erros que possam comprometer a
compreensão das mesmas.
A questão em análise era parte da prova de “Conhecimentos
Básicos” do concurso para provimento de cargos de Analista
Técnico-Administrativo, Contador, Pedagogo, Arquiteto e Engenheiro, todos para
o Ministério da Fazenda. A referida prova continha um total de 65 questões, versando
sobre diversos assuntos, dentre os quais “Atualidades”.
Segundo o edital, a prova de Atualidades pode cobrar tópicos
relevantes e atuais de diversas áreas, tais como política, economia, sociedade,
educação, meio ambiente, desenvolvimento sustentável, aspectos socioeconômicos
e ecologia. Todas as questões de atualidades cobraram assuntos condizentes com
este conteúdo, estando em total acordo com o edital. A questão que cita o
Partido dos Trabalhadores trata de reforma política, assunto que teve grande repercussão
em todos os jornais do país, especialmente desde junho deste ano,
caracterizando-a como tópico relevante e atual de política.
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